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O papel do farmacêutico na gestão hospitalar: promovendo interface entre processos para alcançar qualidade e sustentabilidade

Publicado em 17 de março de 2023

Dra. Diana Mendonça Silva Guerra – CRF-PE 1710

– Farmacêutica Hospitalar
– Graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
– Assessora técnica do Hospital da Restauração, Secretaria Estadual de Saúde (SES) – Recife, PE
– Conselheira fiscal da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH)

 

“De todas as empresas modernas, nenhuma é mais complexa do que o hospital.”1 Posto isso, buscar a gestão hospitalar de qualidade, pautada nos princípios de sustentabilidade, tem sido um objetivo cada vez mais desafiador, que requer esforços conjuntos e que se complementem. É preciso considerar que com o envelhecimento populacional, a demanda de pacientes a cada dia maior, os custos progressivos em saúde e a capacidade de atendimento quase imutável, o resultado esperado é o de comprometimento do sistema de saúde e da estrutura hospitalar como um todo.2 

Diante desse cenário, é essencial que sejam desenvolvidas estratégias que impulsionem a capacidade de melhorias contínuas,3 para que a gestão hospitalar sustentável compreenda, de fato, o ambiente, a economia e a sociedade. Essa tríade é estratégica para a sistematização dos serviços prestados,4 uma vez que o desenvolvimento sustentável, segundo a Organização das Nações Unidas, é aquele capaz de satisfazer as demandas atuais, sem comprometer a capacidade de as gerações futuras suprirem suas próprias necessidades.

O sistema de saúde e os atuais modelos de assistência necessitam ser repensados, para que haja melhora nos processos sistematizados e maior entrega de valor.6 A gestão dos processos é fundamental para se alcançar os resultados esperados. O alinhamento entre as ações da alta liderança e os serviços farmacêuticos pode representar um epicentro de grandes oportunidades para garantia da qualidade e sustentabilidade. 

 

O farmacêutico como elo entre as estruturas hospitalares

O farmacêutico hospitalar assume protagonismo neste contexto, ao atuar em toda a estrutura processual da organização hospitalar, identificar processos ineficientes e trabalhar continuamente para a otimização e padronização das melhores práticas profissionais e tecnologias necessárias, sendo um forte aliado em ações mais sustentáveis e com a qualidade indispensável para a obtenção dos melhores resultados.7

Os serviços farmacêuticos estão presentes em todo o âmbito da organização de saúde, fazendo interface com serviços assistenciais e de apoio. É, portanto, um elo que se comunica integralmente e possibilita, dentre outras atividades, o acesso às tecnologias em saúde e à informação de qualidade, base fundamental para os melhores desfechos.7

A seleção de tecnologias em saúde, com a visão holística necessária, focada na entrega de valor e centrada no paciente, a gestão estratégica de estoques e a definição de protocolos e diretrizes clínicas, que incorporam o pensamento estratégico para a sustentabilidade do sistema, pensando no impacto ambiental, econômico e social, devem ser metas prioritárias do farmacêutico hospitalar.

 

Considerações finais

O farmacêutico hospitalar é imprescindível na análise cuidadosa dos modelos atuais e planos de ação a serem traçados e seguidos pela organização de saúde. Deverá, ainda, além de realizar todos os processos inerentes a sua função, estar atento à capacidade de controle, à melhoria de processos, aos programas de combate ao desperdício, à aquisição de novas tecnologias e à análise de dados, buscando sempre oferecer serviços de precisão, com validação científica e focados na entrega de valor ao paciente, de forma segura e sustentável.3 

 

Referências:

  1. Mirshawka V. Hospital: fui bem atendido! A vez do Brasil. São Paulo: Makron Books, 1994.
  2. Fundação Oswaldo Cruz. A saúde no Brasil em 2030: diretrizes para a prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/ Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, 2012.
  3. World Health Organization. Environmentally sustainable health systems: a strategic document [internet]. Regional Office for Europe, 2017.
  4. Nascimento EP. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Dossiê sustentabilidade. Estudos Avançados. 2012;26(74):51-64.
  5. United Nations. Our common future: report of the World Commission on Environment and Development [internet]. 1987 [cited at 2023, Mar 15]. Available from: http://www.un-documents.net/wcedocf.htm.
  6. Diegoli H, Makdisse M, Magalhães P, Gray M. The atlas of variation in healthcare Brazil: remarkable findings from a middle-income country. Research in Health Services & Regions. 2023;2(1):1-10.
  7. Novaes MRCB, Nunes MS, Bezerra VS, organizadoras. Guia de boas práticas em farmácia hospitalar e serviços de saúde. 2ª ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2020. 560 p.

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