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A enfermagem na linha de frente do combate ao COVID-19

Os profissionais de enfermagem estão presentes em todos os níveis de atenção à saúde: hospitais, ambulatórios, clínicas, unidades de pronto atendimento, serviços de atendimento móvel de urgência, entre outros.

27 de julho de 2021


A enfermagem na linha de frente do combate ao COVID-19

Em janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou ao mundo o surto do novo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da doença conhecida como COVID-19. Tratava-se de uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII)1 – o mais alto nível de alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS). No mesmo ano, em 11 de março, a COVID-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia2.

Por se tratar de uma doença altamente infecciosa3, qualquer pessoa pode se contagiar com a COVID-19 e ficar gravemente doente.​ Deste modo, durante todo o processo de tratamento de pacientes infectados pelo vírus, os profissionais da saúde, considerados da “linha de frente” no combate e contenção da doença, foram os primeiros a serem afetados diretamente sob diversos aspectos, principalmente físicos e emocionais.

Panorama global dos profissionais de enfermagem

A enfermagem é a maior categoria profissional da área de saúde em nível mundial. Dentre os 27,9 milhões de profissionais, 19,3 milhões são enfermeiros.4 No Brasil, ao todo, são quase 7 milhões de profissionais, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.5

Os profissionais de enfermagem estão presentes em todos os níveis de atenção à saúde: hospitais, ambulatórios, clínicas, unidades de pronto atendimento, serviços de atendimento móvel de urgência, entre outros. Logo, toda essa força de trabalho tem sido afetada diretamente pela pandemia.
De acordo com a OMS, a projeção é de que, ainda assim, faltam no mundo seis milhões de enfermeiros para atender às necessidades de assistência à saúde da população de modo geral.6

O papel fundamental dos profissionais de enfermagem na pandemia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o ano de 2020 como o ano da enfermagem12 e lançou a campanha global “Nursing Now” (Enfermagem Agora)13, uma iniciativa da OMS e do Conselho Internacional de Enfermeiros (CIE) com o objetivo de promover e valorizar os profissionais da área.

Para além da assistência nos cuidados aos pacientes com COVID-19, a enfermagem é essencial para os sistemas de saúde público, nas esferas municipal, estadual e federal, e privado, pelo tipo de trabalho que desenvolve nas atividades que realizam diretamente durante 24 horas por dia.

Os profissionais de enfermagem como um todo desempenham um papel fundamental no atendimento, cuidados e recuperação dos pacientes com COVID-19. Além disso, destacam-se como o principal canal de comunicação entre famílias, médicos e pacientes internados, possibilitando um atendimento humanizado para aqueles que se sentem solitários e com medo durante o isolamento que o tratamento contra a COVID-19 exige.

A saúde dos profissionais de enfermagem no Brasil

Em abril de 2020, o Brasil havia registrado 30 mortes de profissionais de enfermagem causadas pela COVID-19 e 4 mil profissionais afastados pela doença, sendo 552 com diagnóstico confirmado e mais de 3,5 mil em processo de investigação7 ocupando o primeiro lugar no ranking mundial em número de óbitos de profissionais da saúde que foram contaminados.8

Diante das adversidades enfrentadas por estes profissionais como, por exemplo, falta de estrutura física (leitos apropriados) e equipamentos de proteção individual (EPI), o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) estimou, que a cada 19 horas, o Brasil perdia um profissional da saúde para a COVID-19.9

Desde o início da pandemia, 776 enfermeiros perderam a vida para o vírus. Felizmente, as mortes de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem apresentaram queda no mês de abril em todo o País. Com relação aos dados dos estados brasileiros, São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro tiveram o maior número de mortes, com 101, 80 e 65 casos, respectivamente.10

Proporcionalmente, os estados com maior índice de profissionais de enfermagem mortos por 100 mil inscritos no Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) são: Roraima, com 236 óbitos; Amazonas, com 154; e Mato Grosso, com 150. Embora o mês de março de 2021 tenha sido o terceiro mês mais letal desde o início da pandemia, com 83 profissionais mortos — perdendo para abril e maio do ano passado — o mês de abril deste ano teve uma redução de 71% no número de óbitos entre estes profissionais, com 24 casos.

Parte desta redução se deve à Campanha Nacional de Vacinação11 dos profissionais da área de saúde, que teve início em janeiro deste ano, ou seja, quase um ano após o início da pandemia.

Com o intuito de fomentar melhores práticas de gestão e cuidado com os profissionais da área de saúde que atuam no combate ao COVID-19, a OMS publicou um guia14 específico para as áreas de recursos humanos, gestores de saúde e formuladores de políticas em nível nacional, subnacional e de unidades de saúde para projetar, gerenciar e preservar a força de trabalho necessária para o gerenciamento da pandemia e manter os serviços de saúde essenciais em andamento. O guia (disponível aqui) identifica recomendações para proteger, apoiar e capacitar os profissionais de forma individual, em nível de gestão, organizacional e de sistema.

A OMS também reforça que sem os profissionais da enfermagem (seja em quantidade – número de profissionais; em qualidade – profissionais sadios), os países não poderão vencer a batalha contra epidemias e pandemias, pois não conseguirão alcançar uma cobertura universal de saúde.

Referências:
1. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – OPAS. OMS declara emergência de saúde pública de importância internacional por surto de novo coronavírus. Disponível em: https://www.paho.org/pt/news/30-1-2020-who-declares-public-health-emergency-novel-coronavirus. Acesso em 15 de junho de 2021.
2. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – OPAS. Disponível em: https://www.paho.org/pt/covid19/historico-da-pandemia-covid-19. Acesso em: 15 de junho de 2021.
3. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – OPAS. Folha informativa sobre Covid-19. Disponível em: https://www.paho.org/pt/covid19. Acesso em: 15 de junho de 2021.
4. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). State of the world’s nursing 2020 [Internet]. Genebra, 2020. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/331673/9789240003293-eng.pdf. Acesso em: 15 de junho de 2021.
5. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM – COFEN. Enfermagem em Números. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/enfermagem-em-numeros. Acesso em: 15 de junho de 2021.
6. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Demandas de décadas da Enfermagem se sobressaem no combate à pandemia. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/demandas-de-decadas-da-enfermagem-se-sobressaem-no-combate-a-pandemia_78927.html. Acesso em: 15 de junho de 2021.
7. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Brasil tem 30 mortes na Enfermagem por Covid-19 e 4 mil profissionais afastados. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/brasil-tem-30-mortes-na-enfermagem-por-covid-19-e-4-mil-profissionais-afastados_79198.html. Acesso em: 15 de junho de 2021.
8. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SAÚDE COLETIVA. Profissionais de saúde em tempos de Covid-19. Disponível em: https://www.abrasco.org.br/site/sem-categoria/maria-helena-machado-publica-artigo-profissionais-de-saude-em-tempos-de-covid-19/46045/. Acesso em: 15 de junho de 2021.
9. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Brasil perde ao menos um profissional de saúde a cada 19 horas para a Covid. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/brasil-perde-ao-menos-um-profissional-de-saude-a-cada-19-horas-para-a-covid_85778.html. Acesso em: 15 de junho de 2021.
10. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Mortes entre profissionais de Enfermagem por Covid-19 cai 71% em abril. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/mortes-entre-profissionais-de-enfermagem-por-covid-19-cai-71-em-abril_86775.html. Acesso em: 15 de junho de 2021.
11. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/vacinas/plano-nacional-de-operacionalizacao-da-vacina-contra-a-covid-19. Acesso em: 15 de junho de 2021.
12. HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA. OMS define 2020 como o Ano Internacional de profissionais de enfermagem e obstetrícia. Disponível em: https://hc.famema.br/2020/03/11/oms-define-2020-como-o-ano-internacional-de-profissionais-de-enfermagem-e-obstetricia/. Acesso em: 15 de junho de 2021.
13. NURSING NOW BRASIL. Disponível em: http://nursingnowbrasil.com.br/noticias/campanha-nursing-now/. Acesso em:
15 de junho de 2021.
14. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Política e gestão da força de trabalho em saúde no contexto da resposta à pandemia COVID-19. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/WHO-2019-nCoV-health_workforce-2020.1. Acesso em: 15 de junho de 2021.


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