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A Importância dos Médicos Infectologistas e Intensivistas nos cuidados de urgência em meio à pandemia de Covid-19

Publicado em 23 de março de 2021

Desde o início de 2020, o mundo vem enfrentando uma crise sanitária global sem precedentes quando a Organização Mundial da Saúde anunciou a infecção pandêmica por uma espécie desconhecida de coronavírus, chamada SARS-CoV-2. Espalhando-se principalmente pelo ar e com altas taxas de transmissibilidade, o vírus causa sintomas leves na maioria dos casos, sendo os mais comuns: febre (80%), tosse seca (56%), fadiga (22%) e dores musculares (7%); os sintomas menos comuns incluem dor de garganta, coriza, diarreia e calafrios. No entanto, o vírus também leva a casos fatais, atingindo com mais frequência idosos, indivíduos com deficiências imunológicas e comorbidades.1

As espécies de coronavírus, identificadas antes da SARS-CoV-2, têm sido patógenos comuns nas infecções do trato respiratório superior de humanos por anos, tanto em adultos quanto em crianças. Eles são responsáveis ​​por cerca de 20% dessas infecções. As infecções geralmente duram vários dias, com progressão leve. Com a descoberta do novo vírus começaram as pesquisas sobre sua epidemiologia e, como a epidemia na China precedeu a disseminação mundial da doença, a maioria dos dados sobre a epidemiologia e o curso clínico do COVID-19 vem desse país.1

Da perspectiva do diagnóstico realizado por um profissional da saúde, o médico infectologista é um dos principais responsáveis na identificação da doença e na condução do tratamento. O primeiro passo para diagnosticar a infecção por SARS-CoV-2 é a obtenção de informações detalhadas sobre a história epidemiológica do paciente:1

• Histórico de viagem ou residência em local com caso confirmado;
• Contato com paciente infectado com COVID-19 e confirmado com exame PCR;
• Contato com pessoa proveniente de uma área onde ocorre a infecção e que apresente febre e sinais de infecção; e
• Casos confirmados nas imediações (família, colegas de trabalho, vizinhos).

Além da história epidemiológica, o médico deve avaliar os sintomas clínicos, e verificar se o paciente apresenta:1

• Febre e / ou outros sintomas respiratórios;
• Pneumonia confirmada radiologicamente; e
• No estágio inicial da doença – contagem de leucócitos normal/diminuída ou linfopenia.

Em pacientes com história epidemiológica e sintomas clínicos positivos, a infecção por SARS-CoV-2 deve ser confirmada por meio de teste diagnóstico adequado, como o teste molecular de RT-PCR. O diagnóstico preciso usando tomografia computadorizada (TC) de tórax pode desempenhar também um papel importante no tratamento de pacientes infectados com SARS-CoV-2.1,2

Atualmente, infectologistas recomendam tratamento essencialmente de suporte frente aos sintomas. O papel dos agentes antivirais ainda não foi estabelecido portanto, não há tratamento específico disponível, e o manejo é empírico.1,2,3

Caso o tratamento requeira internação em Unidade de Terapia Intensiva, o médico intensivista terá papel fundamental no estabelecimento do cuidado ao paciente. A media de permanência na UTI varia, conforme estudos internacionais recentes, de 5 a 19 dias, independentemente do status de alta (vivo ou morto). Como a pandemia pelo novo coronavírus é recente, ainda não há estudos suficientes para realizar qualquer comparação por idade ou gravidade da doença frente ao tempo de internação em UTI.4

As formas graves de SARS-CoV-2 que requerem tratamento em UTI são pneumonia aguda, sepse e choque séptico, mas também deve-se considerar os pacientes com grande comprometimento da função pulmonar.1,5

O médico intensivista avaliará a evolução do paciente internado em UTI e atuará no direcionamento do tratamento. Nesse contexto, considera-se que uma proporção significativa de pacientes com pneumonia necessitará de oxigenoterapia. O corpo clínico deverá avaliar a necessidade de execução de intubação traqueal e ventilação mecânica dos pulmões para os casos graves.1,5

As diretrizes de manejo das vias aéreas para intubação endotraqueal são extremamente importantes para os médicos. A intubação traqueal de um paciente infectado pelo SARS-CoV-2 é um dos procedimentos de maior ameaça para quem a realiza devido ao aerossol gerado durante o procedimento. Para garantir a segurança dos pacientes e do corpo clínico envolvido, o procedimento deve ser padronizado.5

O papel dos infectologistas e dos intensivistas é de fundamental importância nos cuidados aos pacientes com covid-19. Esses profissionais fazem parte de uma equipe multidisciplinar, que atua de forma sinérgica e está em constante atualização a fim de oferecer o melhor manejo dos pacientes acometidos pela doença.

 

Referências:

1. Magdalena Wujtewicz, Anna Dylczyk-Sommer, Aleksander Aszkiełowicz, Szymon Zdanowski, Sebastian Piwowarczyk, Radoslaw Owczuk. COVID-19 – what should anaethesiologists and intensivists know about it? Anaesthesioly Intensive Therapy. 2020; 52 (1): 34-41.
2. Atul Sharma, Swapnil Tiwari, Manas Kanti Deb, Jean Louis Marty. Severe acute respiratory syndrome coronavirus-2 (SARS-CoV-2): a global pandemic and treatment strategies. International Journal of Antimicrobial Agents. 2020 Aug; 56 (2): 106054.
3. Mrudula Phadke, Sujata Saunik. COVID-19 treatment by repurposing drugs until the vaccine is in sight. Drug Dev Res. 2020 Aug; 81(5): 541-543.
4. Eleanor M Rees, Emily S Nightingale, Yalda Jafari, Naomi R Waterlow. COVID-19 length of hospital stay: a systematic review and data synthesis. BMC Med. 2020 Sep 3; 18 (1): 270.
5. Tomasz Gaszyński. The suggested management of endotracheal intubation in a patient infected with or suspected of SARS-CoV-2 infection. Anaesthesioly Intensive Therapy. 2020; 52 (5): 438-439.


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